gelado nas costas, casa da minha vó. Aquela que não morreu antes do meu avô. Tinha aquela outra, que eu via aos domingos, que, essa sim, morreu antes do avô Salvador. Respiração lenta, almofada colorida apoiada sobre a coxa. encosto a cabeça na parede. Pq Edu Chaves, é lá que a avó que morreu depois do meu avô vivia. Esse avô não conheci. Morreu antes de mim. bem antes, de modo que eu sempre senti pela minha mãe ter sido órfã um dia. A gente só é órfão se os nossos pais morrem antes da gente ter filhos. Minha mãe demorou pra ter filho, vô morreu antes de mim, antes de Edu. Então, ela ficou órfã. Parece que a pele vai desgrudar, se desmanchar em fibras pela cama. pernas esticadas e luz acesa. só conheci o vô por foto. Era magro. alguém lá fora fala alto, ouço pela janela da sala. cotovelo colado ao tronco. Teclado apoiado na almofada, apoiada na coberta, apoiada na coxa, apoiada no colchão, apoiada no chão, apoiada na terra, apoiada no que tem embaixo da terra. meus avôs todos moram embaixo da terra agora. |
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
24 de Outubro
17 de Outubro-São Paulo
Fiquei sem casa
Perdi a prova do Sesi
Uma aluna surtou na minha aula e foi reclamar na direção.
Perdi a prova do Sesi
Uma aluna surtou na minha aula e foi reclamar na direção.
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
10 de outubro-São Paulo
22h30
Trata-se: Quem deve assegurar a ordem moral, a ordem religiosa e a ordem cívica da cidade? Para que a cidade constitua uma organização coerente, é necessário que haja festas religiosas, canto coral, exercício militar e vida sexual.
Contexto: para que essa ordem seja estabelecida é necessário que uma autoridade seja exercida de bom grado sobre gente que aceite de bom grado, que obedeçam querendo obedecer. Os cidadãos precisam ser persuadidos e aqui entra a parresia (fala franca, dizer-a-verdade). A parresia é esses discurso verdadeiro que convence o indivíduo a obedecer na vida individual, na vida de sua alma, de seu corpo, de seus desejos e prazeres.
(Nascimento do guia moral. Alguém além do chefe de Estado que ordene a vida na cidade. E para que essa cidade seja bem organizada é necessário regular a massa através das festas religiosas, canto coral (?) e da regulação da vida sexual. aqui poderia nascer a figura que mais tarde será ocupada pelo padre e depois pelo psicólogo. O interessante é que Platão sugere q essa figura reguladora seja o filósofo. entra aqui a história da sexualidade. uso dos prazeres)
por que esse texto interessa ao professor?
1. porque constitui o vinculo fundamental entre a organização da cidade e a verdade.
2. Porque aparece a figura necessária de um guia moral. Alguém alem daquele que legisla, que formula o sistema de leis, alguém que com a fala franca persuada o povo sobre o que eles devem fazer com seus corpos, vida sexual, alma. É uma figura necessária mesmo na cidade cuja ordem seja perfeita, mesmo na cidade ideal. Portanto, aqui a parresia aparece em sua dupla articulação. A parresia é justamente o que a cidade necessita para ser governada, mas também é o que deve agir sobre a alma dos cidadãos para que eles sejam cidadãos como manda o figurino, mesmo que ela seja bem governada.
sábado, 8 de outubro de 2011
3rd october
Finalmente. O nosso primeiro café juntos. Só nós dois.
"O artista pode muito careta. Já perdi a fantasia que nós temos que ser de um jeito ou de outro. Não importa o que você pensa ou como você trepa. O que importa é o que você faz com isso tudo."
" Mas o que essas menininhas fazem com isso?"
"Não sei. Mas também não sei o que eu tenho feito."
Silêncio.
Sinto falta do frio de Londres.
"O artista pode muito careta. Já perdi a fantasia que nós temos que ser de um jeito ou de outro. Não importa o que você pensa ou como você trepa. O que importa é o que você faz com isso tudo."
" Mas o que essas menininhas fazem com isso?"
"Não sei. Mas também não sei o que eu tenho feito."
Silêncio.
Sinto falta do frio de Londres.
26th september
Não vou poder ficar. De novo. Sempre pedem o documento que não tenho, aquele que não existe e é impossível de ser inventado. Estou cansada.
Deito com o rosto afundado no travesseiro. Recebo um abraço, a única coisa que realmente vale nestes momentos. Quem disse que seria fácil?
No entanto, o abraço foi fácil e tem sido desde o primeiro.
Deito com o rosto afundado no travesseiro. Recebo um abraço, a única coisa que realmente vale nestes momentos. Quem disse que seria fácil?
No entanto, o abraço foi fácil e tem sido desde o primeiro.
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
12 de Setembro - São Paulo
22h30
E se o romance não existisse? O que deveria fazer uma atriz com as cinco linhas do texto? A única solução seria ela completar o texto com a sua imaginação, só assim ela poderia começar a criar seu monólogo interior e suas falas internas.
Para dar ao leitor um exemplo mais simples possível da influência das "falas internas" sobre o texto da peça, vamos imaginar um diálogo entre um diretor e um ator. Suponhamos que o nosso diretor inseguro quanto a essência pisicológica de uma cena (ele aplica o método dele ao explicar o método!), procure resolver o problema através de várias experiências com seu ator.
1. Diretor: Procure pronunciar a palavra nuvem sem nenhum interesse, em tom branco branco, como numa simples leitura.
Ator raciocinando: o problema é deixar de ter interesse algum em pronunciar a palavra nuvem. O que estaria pensando o personagem nessa situação?
Ator falando internamente: Dizer a palavra nuvem? pra quê? Eu por mim não vejo nada de interessante nessa palavra, nem vejo razão alguma em dizê-la. Acho-a até muito chata, mas já que você pede, está bem: nuvem.
2. Diretor: agora diga essa palavra com desprezo:
Ator pensando: Para sentir desprezo por uma determinada nuvem eu devo acha-la muito insignificante. Mas sua insignificancia só pode ser constatada se comparada com a grandiosidade de uma outra nuvem. como será essa outra nuvem? (ele sempre termina o raciocínio com uma pergunta)
Ator falando internamente: Aquela nuvemzinha branca? ela impressiona você? Essa pequena mancha incolor? A nuvem realmente impressionante é a da cor de chumbo! Nuvem de tempestade! Ela rola pelo horizonte, ela esmaga a Terra! essa é que impressiona, agora aquela lá... ora grande coisa! Nuvem.
3- Diretor: Agora diga essa palavra com admiração:
Ator pensando: Eu só poderia achar alguma coisa bela em comparação com alguma coisa feia. O que seria? uma outra nuvem feia? è dificil imaginar. Então vou fazer um contraste entre a nuvem e o resto da paisagem, vou tentar.
Ator falando iternamente: A paisagem parecia tão monótona, com aquele céu azul tão pálido, sem nenhuma mancha. E derepente, ci atrás do telhado uma mancha branca que subia. .. e tudo mudou, veio a alegria, uma vontade de respirar de peito cheio. Ah como era bela aquela mancha! Nuvem!
4. Diretor: Agora diga essa palavra com horror, pânico.
ator pensando: o que é que poderia me causar pânico em relação a uma nuvem? Só se ela fosse inicio de uma tempestade. Não, não é sufuciente, deve ser mais do que isso, deve ser um tufão.
ator falando internamente: Olha lá, veja! Aquilo se aproximando rapidamente.. Olha vem quase tocando nas ondas do mar (já tem inclusive um onde). deve se ruma tempestade, não pior... deve ser um tufão. corram, fujam.. Nuvem!
Se você leitor, seguir esse raciocínio e usar as falas internas sugeridas, certamente, ao pronunciar a palavra nuvem irá satisfazer as exigencias do seu diretor.
E se o diretor pedir para falar a palavra nuvem com vontade de trepar? qual seria o pensamento do ator e qual seria a "fala interna" do ator?
Um dia fui procurar um amigo numa repartição que ele trabalhava. Na sala encontrei uma moça que , à minha pergunta se meu amigo tinha deixado algum recado para Eugênio, respondeu sorrindo. "Não senhor! Mas ele não demora, sente-se, por favor." depois de uma pausa "É verdade que os pequenos burgueses voltam em cartaz?" Lembro que fiz uma pequena pausa e respondi gentilmente: Sim senhora, no início do mês que vem.
Quando fiquei sozinho sentado naquela sala fiquei imaginando que o meu pequeno diálogo com a moça fosse cena de uma peça. qual seria meu "monólogo interior" caso eu fosse representar essa peça?
Antes de terminar esse capítulo, gostaria de propor aos meus leitores que repetissem o exercício do ator-diretor, substituindo a palavra nuvem por outras palavras, tais como: guerra, silêncio... procurem encontrar falas internas que permitam pronunciar essas palavras:
1. como simples leitura
2. com desprezo
3. com grande admiração
4. com horror
Para avaliar o resultado obtido, procurem a assistência de um colega.
E se o romance não existisse? O que deveria fazer uma atriz com as cinco linhas do texto? A única solução seria ela completar o texto com a sua imaginação, só assim ela poderia começar a criar seu monólogo interior e suas falas internas.
Para dar ao leitor um exemplo mais simples possível da influência das "falas internas" sobre o texto da peça, vamos imaginar um diálogo entre um diretor e um ator. Suponhamos que o nosso diretor inseguro quanto a essência pisicológica de uma cena (ele aplica o método dele ao explicar o método!), procure resolver o problema através de várias experiências com seu ator.
1. Diretor: Procure pronunciar a palavra nuvem sem nenhum interesse, em tom branco branco, como numa simples leitura.
Ator raciocinando: o problema é deixar de ter interesse algum em pronunciar a palavra nuvem. O que estaria pensando o personagem nessa situação?
Ator falando internamente: Dizer a palavra nuvem? pra quê? Eu por mim não vejo nada de interessante nessa palavra, nem vejo razão alguma em dizê-la. Acho-a até muito chata, mas já que você pede, está bem: nuvem.
2. Diretor: agora diga essa palavra com desprezo:
Ator pensando: Para sentir desprezo por uma determinada nuvem eu devo acha-la muito insignificante. Mas sua insignificancia só pode ser constatada se comparada com a grandiosidade de uma outra nuvem. como será essa outra nuvem? (ele sempre termina o raciocínio com uma pergunta)
Ator falando internamente: Aquela nuvemzinha branca? ela impressiona você? Essa pequena mancha incolor? A nuvem realmente impressionante é a da cor de chumbo! Nuvem de tempestade! Ela rola pelo horizonte, ela esmaga a Terra! essa é que impressiona, agora aquela lá... ora grande coisa! Nuvem.
3- Diretor: Agora diga essa palavra com admiração:
Ator pensando: Eu só poderia achar alguma coisa bela em comparação com alguma coisa feia. O que seria? uma outra nuvem feia? è dificil imaginar. Então vou fazer um contraste entre a nuvem e o resto da paisagem, vou tentar.
Ator falando iternamente: A paisagem parecia tão monótona, com aquele céu azul tão pálido, sem nenhuma mancha. E derepente, ci atrás do telhado uma mancha branca que subia. .. e tudo mudou, veio a alegria, uma vontade de respirar de peito cheio. Ah como era bela aquela mancha! Nuvem!
4. Diretor: Agora diga essa palavra com horror, pânico.
ator pensando: o que é que poderia me causar pânico em relação a uma nuvem? Só se ela fosse inicio de uma tempestade. Não, não é sufuciente, deve ser mais do que isso, deve ser um tufão.
ator falando internamente: Olha lá, veja! Aquilo se aproximando rapidamente.. Olha vem quase tocando nas ondas do mar (já tem inclusive um onde). deve se ruma tempestade, não pior... deve ser um tufão. corram, fujam.. Nuvem!
Se você leitor, seguir esse raciocínio e usar as falas internas sugeridas, certamente, ao pronunciar a palavra nuvem irá satisfazer as exigencias do seu diretor.
E se o diretor pedir para falar a palavra nuvem com vontade de trepar? qual seria o pensamento do ator e qual seria a "fala interna" do ator?
Um dia fui procurar um amigo numa repartição que ele trabalhava. Na sala encontrei uma moça que , à minha pergunta se meu amigo tinha deixado algum recado para Eugênio, respondeu sorrindo. "Não senhor! Mas ele não demora, sente-se, por favor." depois de uma pausa "É verdade que os pequenos burgueses voltam em cartaz?" Lembro que fiz uma pequena pausa e respondi gentilmente: Sim senhora, no início do mês que vem.
Quando fiquei sozinho sentado naquela sala fiquei imaginando que o meu pequeno diálogo com a moça fosse cena de uma peça. qual seria meu "monólogo interior" caso eu fosse representar essa peça?
Antes de terminar esse capítulo, gostaria de propor aos meus leitores que repetissem o exercício do ator-diretor, substituindo a palavra nuvem por outras palavras, tais como: guerra, silêncio... procurem encontrar falas internas que permitam pronunciar essas palavras:
1. como simples leitura
2. com desprezo
3. com grande admiração
4. com horror
Para avaliar o resultado obtido, procurem a assistência de um colega.
04 de outubro- são paulo
Conversa com a Fernanda. Ela vai ter que sair de casa.
sentada em frente ao micro.
Edson me liga. Uma semana sem se ver!
Sento na cama. Desligo o Skype. Volto para o computador. Rafael Cortez na televisão.
Pagina aberta da Bikenow
sentada em frente ao micro.
Edson me liga. Uma semana sem se ver!
Sento na cama. Desligo o Skype. Volto para o computador. Rafael Cortez na televisão.
Pagina aberta da Bikenow
26 de setembro-sao paulo
Aperto a descarga.
Telma, me acorde quando você sair amanhã cedo. Por favor. bjs Pri.
Ps: tem alcachofra para você com molho e tudo.
Quero ter um quarto só meu. escrevo apoiada na parede vermelha de casa.
Telma, me acorde quando você sair amanhã cedo. Por favor. bjs Pri.
Ps: tem alcachofra para você com molho e tudo.
Quero ter um quarto só meu. escrevo apoiada na parede vermelha de casa.
19 de setembro- sao paulo
Pega mais um pra mim? (guardanapo). Eu fiquei com dor aqui de tanto tossir. Nossa. Ele termina de comer, levanta e vai escovar os dentes. Antes entrega a wonka no meu colo. Pego o caderno e a caneta. A wonka desce do meu colo, fico sentanda escrevendo.
sábado, 1 de outubro de 2011
19th september
Tô aqui.
e eu tô aqui.
paramos em frente ao Tejo, de costas a praça do comércio.
ele disse que parecia que nunca havíamos nos separado. eu disse a ele que parecia que estávamos separados por toda a vida.
mas concordamos que seremos amigos pra sempre.
ele sorriu com tristeza.
"São 5 gaivotas na água!"
"Sim. Você tem razão"
Há muito não sentia o sol queimar a minha pele.
e eu tô aqui.
paramos em frente ao Tejo, de costas a praça do comércio.
ele disse que parecia que nunca havíamos nos separado. eu disse a ele que parecia que estávamos separados por toda a vida.
mas concordamos que seremos amigos pra sempre.
ele sorriu com tristeza.
"São 5 gaivotas na água!"
"Sim. Você tem razão"
Há muito não sentia o sol queimar a minha pele.
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